Bowtie: onde o funil clássico para e a receita recorrente começa

Bowtie: onde o funil clássico para e a receita recorrente começa

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Quarenta por cento de toda a nova ARR em SaaS B2B nasce depois da assinatura. O funil clássico não mede nada disso: ele termina exatamente onde o dinheiro começa. O modelo Bowtie de receita, e não a análise de risco industrial homônima, estende o funil até onde a receita recorrente acontece.

Jacco van der Kooij e Renata Centurión, da Winning by Design, parceira da Cortex, apresentaram o modelo no Cortex Summit 2026. A tese é geométrica: o problema do processo de vendas está na forma do modelo, não na ordem das etapas.

O board cobra previsibilidade de receita e o time reporta pipeline. A receita que sustenta a meta do ano não é medida por nenhuma etapa do processo que a operação usa para se organizar.

Índice

  • Por que o funil clássico para onde a receita recorrente começa?
  • O que muda no processo de vendas quando o modelo de dados vira Bowtie?
  • Quais são os estágios do Bowtie depois do Close?
  • Aquisição e retenção obedecem a matemáticas opostas
  • Em que estágio de empresa o Bowtie realmente compensa?
  • Como redesenhar o processo comercial para cobrir os dois lados do Bowtie?
  • Cortex Growth no lado esquerdo do Bowtie
  • Marketing, vendas e sucesso do cliente precisam do mesmo modelo de dados
  • Perguntas frequentes sobre processo de vendas e modelo Bowtie
  • Conclusão

 

Por que o funil clássico para onde a receita recorrente começa?

O funil clássico termina no fechamento, e em SaaS B2B a expansão já responde por 40% de toda a nova ARR, a receita recorrente anual, segundo o benchmark da Benchmarkit e da Pavilion publicado em maio de 2025, com 583 empresas. O modelo para onde o dinheiro começa.

O pós-venda não sumiu do modelo, virou rodapé

O conteúdo de referência sobre processo de vendas no Brasil quase sempre traz uma etapa de pós-venda, com cerca de cem palavras, no fim de uma sequência linear. O que falta ali não é atenção, é estatuto de medição: nenhuma métrica, nenhum estágio interno, nenhuma economia própria.

O que os guias de processo de vendas não medem

O conteúdo de referência sobre o tema não traz NRR, a receita líquida retida da base, nem churn. A conversa sobre receita recorrente existe no Brasil, com vocabulário próprio, e nunca toca a conversa sobre o funil de vendas tradicional.

A Winning by Design resume o efeito no documento The Bowtie: A Proposed Standard: dois dos três motores de crescimento de receita ficam fora do campo de visão do funil. O alvo da crítica é a geometria do modelo, que o mercado brasileiro herdou pronto e reproduz há décadas.

O que muda no processo de vendas quando o modelo de dados vira Bowtie?

Muda a natureza do modelo: o funil descreve atividades de venda, e o Bowtie descreve o ciclo inteiro do cliente como estrutura de medição, com estágios, métricas e economia próprias depois da assinatura. Essa troca amplia o campo de visão da operação e muda o que ela consegue cobrar de si mesma.

Sequência de atividades x estrutura de medição

Processo é a sequência do que o time faz, e modelo de dados é a estrutura que mede o que acontece com o cliente. Confundir os dois explica por que operações com processo bem documentado ainda não respondem de onde virá a receita do ano seguinte. A nomenclatura aqui foi apresentada pela Winning by Design no Cortex Summit 2026.

Critério

Funil clássico

Bowtie

O que descreve

Atividades do vendedor

Jornada completa do cliente

Onde termina

Fechamento, com pós-venda como apêndice

Grow, com consumo no modelo matemático

Métrica dominante

Taxa de conversão por etapa

Conversão, NRR, adoção e expansão

Quem assume o risco

Comprador

Vendedor, à medida que a relação caminha para assinatura e consumo

Autoria

Não atribuída, de origem difusa

Winning by Design, nomeada e datada

O padrão público do modelo, publicado pela Winning by Design, coloca a diferença em número: dois dos três motores de crescimento de receita, retenção e expansão, acontecem fora do campo de visão do funil. Dois terços do motor operam sem estágio próprio e sem métrica dentro do modelo que a operação usa para se organizar todos os dias.

Os seis modelos da Revenue Architecture, e por que este é o segundo

O Bowtie é o modelo de dados dentro de uma arquitetura de seis modelos, que cobre receita, matemática, operação, Go-to-Market e crescimento. O de receita define quem assume o risco, e o de dados define o que a empresa enxerga. Mexer no processo sem tocar nessas camadas é redecorar uma casa cuja planta está errada.

Quais são os estágios do Bowtie depois do Close?

Depois do Close vêm Onboard, Adopt e Grow, os três estágios de retenção e expansão do Bowtie apresentado no Cortex Summit 2026. O modelo matemático acrescenta ainda o estágio de consumo.

Lado

Estágio

O que acontece

Acquisition

LeadGen

Geração de demanda e identificação de conta

Acquisition

LeadDev

Desenvolvimento da oportunidade

Acquisition

Selling

Construção da decisão de compra

Marco central

Mutual Commit

Compromisso mútuo, antes da assinatura

Marco central

Close

Fechamento

Retention and Expansion

Onboard

Implantação e primeiro valor

Retention and Expansion

Adopt

Uso recorrente e impacto percebido

Retention and Expansion

Grow

Expansão de receita na base

Nota: o modelo matemático acrescenta o estágio de consumo. A apresentação rotula o arco de risco como Ownership, Subscription e Consumption, ou seja, propriedade, assinatura e consumo.

Onboard: o estágio em que o cliente decide se ficou

Onboard, a implantação e a entrega do primeiro valor, concentra a decisão silenciosa de permanência. Em pesquisa de maio de 2025 com 161 líderes de sucesso do cliente, 48% dos clientes abandonam o onboarding sem valor rápido. 

Adopt: por que impacto entregue é diferente de produto entregue

Adopt, o uso recorrente e o impacto percebido, é onde a promessa da venda encontra a rotina do cliente. “Se eu não entregar impacto todos os dias, todos os minutos, todas as horas para o meu cliente, ele vai embora”, destacou Renata Centurión.

O diagnóstico apresentado por ela durante o Cortex Summit foi que a causa mais comum de perda de cliente é a empresa não saber qual impacto entrega. 

A evidência externa chega perto do ponto, com um recorte próprio. A 2026 Global B2B Pulse Survey da McKinsey, com 4.000 decisores em 13 países, aponta a informação inconsistente entre times como razão número um de troca, e o acesso difícil a representantes qualificados em segundo.

Grow: expansão como estágio, não como sorte

Grow, a expansão de receita na base, vira anedota de renovação no funil. A Gartner apurou em 2023 que 60% dos compradores de tecnologia envolvidos em renovação se arrependem de quase tudo que compram, contra 54% em 2020. Esse arrependimento nasce em Onboard e aparece em Grow, sem campo no funil para registrá-lo.

Aquisição e retenção obedecem a matemáticas opostas

Aquisição tem retorno decrescente: quanto mais volume, menor a resposta. Retenção tem retorno crescente: cada 10 pontos de NRR valem cerca de 5 pontos de crescimento, segundo a SaaS Capital. Duas matemáticas dentro do mesmo negócio.

Do lado da aquisição, cada passo a mais rende menos

Jacco van der Kooij resumiu a curva em uma frase de palco: “Quanto mais eu faço, menos eu recebo.” A Gartner registrou em 2025 que 73% dos compradores B2B evitam ativamente fornecedores que enviam abordagem irrelevante. Volume adicional rende menos e ainda subtrai contas do mercado endereçável.

Do lado da retenção, o retorno é crescente

O benchmarking da SaaS Capital de 2025 reuniu mais de mil empresas. Subir a NRR da faixa de 90% a 100% para a de 100% a 110% adiciona 5 pontos percentuais à taxa de crescimento. O próprio relatório chama a relação de raro exemplo de retorno crescente.

A eficiência acompanha: o benchmark da Benchmarkit indica CAC de expansão em US$ 1,00 contra US$ 2,00 de CAC de novo cliente. A ressalva reforça o argumento, já que menos de 20% das empresas medem esse indicador. Métrica que o modelo não prevê é métrica que ninguém coleta.

O atrito entre vendas e sucesso do cliente vem do desenho

Uma área precisa de velocidade porque opera numa curva que decai a cada passo, e a outra precisa de permanência porque opera numa curva que compõe. Avaliadas pelo mesmo painel de conversão, entram em conflito, e nenhuma troca de liderança resolve.

O motor de inbound perdeu previsibilidade

Dados de painel publicados pela SparkToro em junho de 2026 apontam 68,01% das buscas no Google sem clique entre janeiro e abril de 2026, contra 60,45% em 2024.

O Pew Research Center mediu o efeito do resumo de IA em julho de 2025: o clique cai de 15% para 8% quando o resumo aparece. O que encolheu foi a rota entre a busca e o site, medida em cliques.

Já a previsão da Gartner de queda de 25% no volume de busca, de fevereiro de 2024, não se materializou. A busca deixou de entregar tráfego previsível, e isso é diferente de a busca ter acabado.

Em que estágio de empresa o Bowtie realmente compensa?

Acima de US$ 50 milhões de ARR, cerca de 60% da nova receita vem de clientes que já existem. Abaixo de US$ 1 milhão, a NRR mediana é 100%. O lado direito paga na proporção da base instalada.

Faixa de ARR

NRR mediana

Abaixo de US$ 1M

100%

US$ 1M a 5M

104%

US$ 5M a 20M

103%

US$ 20M a 50M

103%

Acima de US$ 50M

101%

Fonte: 2025 SaaS Benchmarks Report, High Alpha, coleta no segundo trimestre de 2025, mais de 800 respondentes. A GRR mediana fica entre 88% e 92%.

Por que reorganizar cedo demais destrói crescimento

Com NRR mediana em 100% na faixa inicial quase não há expansão a capturar, e quem realoca time para retenção antes da base instalada corta a única fonte de crescimento que tem.

A expansão ficou mais difícil, não mais fácil

A pesquisa de retenção da ChartMogul reuniu mais de 2.500 empresas em agosto de 2024. Ela registra que atingir NRR igual ou superior a 100% ficou mais difícil em todas as faixas de ARR, com o quartil superior em queda desde 2022.

A mesma base mostra que a expansão contribui com até 40% do crescimento em empresas de US$ 15 a 30 milhões de ARR ou mais, contra cerca de 30% em 2021. O relatório da Benchmarkit descreve o mesmo aperto.

A expansão pesa mais no resultado e rende menos por inércia de contrato. Isso a torna dependente de processo desenhado para gerir a carteira de clientes, com estágio, dono e métrica próprios.

Como redesenhar o processo comercial para cobrir os dois lados do Bowtie?

Redesenhar é dar aos dois lados o mesmo modelo de dados, a mesma linguagem e a mesma metodologia. 

Um modelo de dados, uma linguagem, uma metodologia

A IA precisa de um modelo operacional. Renata Centurión traduziu o efeito no palco: quando todas as áreas falam a mesma língua, cai muito a chance de o cliente se perder entre elas. O alinhamento entre vendas e marketing é a primeira fronteira em que isso aparece. A pesquisa da McKinsey citada acima mede o custo de não fazer isso.

Para onde o humano migra quando o comprador prefere seguir sozinho

Existe uma tensão real dentro do modelo. A mesma pesquisa da Gartner de 2025 mostra que 61% dos compradores B2B preferem uma experiência de compra sem representante. Outros 69% relatam inconsistências entre o site do fornecedor e o que os vendedores dizem.

Isso pressiona a metáfora da polinização usada por Jacco van der Kooij, em que o humano é a abelha que leva o pólen do produto de conta em conta. A pressão recai sobre o ponto da jornada do comprador em que esse humano aparece.

A reconciliação não passa por eliminar o vendedor, e sim por redistribuí-lo. O comprador o dispensa onde pesquisa sozinho e sente falta dele em Onboard, Adopt e Grow, onde a ausência de representante preparado é a segunda razão de troca. A decisão continua humana nos dois lados do modelo.

Redesenhar o processo antes de instalar IA

A McKinsey publicou em julho de 2026 que empresas de alto crescimento têm três vezes mais chance de ter elevado o investimento em IA em dois dígitos, 71% contra 25%. O mesmo estudo registra que menos de 10% das organizações escalaram IA em qualquer função. O verbo do estudo é redesenhar, não adotar.

É o que chamamos de Inteligência Aumentada: o uso estratégico da IA para ampliar a capacidade humana de análise, decisão e ação. O modelo sugere o próximo passo, a pessoa decide qual dar. IA sobre um processo antigo apenas acelera o processo antigo.

Metodologia e sistema não são a mesma camada. A metodologia define a linguagem comum, e o sistema é o que faz a decisão acontecer todo dia, conta a conta, sem depender de quem lembrou do framework.

Cortex Growth no lado esquerdo do Bowtie

Cortex Growth é o sistema operacional de GTM que opera o lado esquerdo do Bowtie, em LeadGen, LeadDev e Selling: identifica os clientes certos, no momento certo, com a abordagem certa, e devolve à direita um cliente que entrou pelo motivo certo. É a metade do modelo em que a decisão ainda é sobre quem entra.

Quem entra pela esquerda define o que a direita consegue reter

A plataforma Cortex Growth usa o raio-X dos clientes atuais como insumo para a definição de ICP e monitora a execução do lado esquerdo, conta a conta. Se 73% dos compradores B2B evitam quem manda abordagem irrelevante, precisão no início da jornada vira condição de acesso.

A camada de inteligência agêntica informa e orquestra a decisão, não a toma no lugar do vendedor, e toda alocação depende de aprovação do gestor.

Marketing, vendas e sucesso do cliente precisam do mesmo modelo de dados

Na pesquisa TIC Empresas 2025 do Cetic.br, com 4.174 empresas de todos os portes, 31% usam CRM. O recorte é amplo e inclui a base pequena do país. O ponto não é atraso: é que o modelo de dados comum é condição anterior à IA, e ela não vem antes dele. É a mesma premissa que sustenta Revenue Operations como estrutura, e não como cargo.

O que o dado brasileiro mostra sobre a fila do problema

A mesma pesquisa, de junho de 2026, registra a IA em 17% das empresas brasileiras e em 50% das que têm 250 funcionários ou mais. Metade das grandes já usa IA, enquanto a estrutura de dados que daria sentido a ela no comercial ainda está em instalação.

Por onde começar sem esperar a reorganização inteira

Nomeie os estágios do lado direito no mesmo sistema em que o time registra oportunidade, defina quem responde por cada um e crie uma métrica por estágio antes de discutir alocação de pessoas. O eBook de Go-to-Market Intelligence detalha o ciclo em que essa sequência se apoia. O modelo veio do palco. A leitura do que ele significa para uma operação brasileira é nossa.

Antes disso, olhe para a matéria-prima que entra. Veja como Cortex Growth, sistema operacional de GTM, identifica os clientes certos, no momento certo, com a abordagem certa, antes que a direita herde uma conta que nunca deveria ter entrado.

Conclusão

O debate brasileiro sobre processo de vendas amadureceu na descrição das atividades e parou na geometria do modelo que as mede. Enquanto o desenho terminar no fechamento, o time vai reportar pipeline para um board que pergunta por receita recorrente.

A decisão prática cabe em duas perguntas. Sua empresa já tem base instalada para que o lado direito pague, e o cliente que chega pela esquerda entra pelo motivo certo? Se a segunda resposta for não, o trabalho começa antes do Onboard, e é dele que Cortex Growth cuida. 

Se quiser entender melhor sobre essa solução para sua empresa é só falar com nosso time de especialistas. 

 E se quiser ver a cobertura completa do Cortex Summit é só clicar aqui.