Cortex Summit 2026: como a IA Agêntica e as organizações aumentadas estão transformando negócios
A manhã chuvosa em São Paulo não foi obstáculo para os mais de 1.300 líderes e decisores de mercado que lotaram o Teatro Santander no dia 1º de setembro. Em um ambiente de intensa troca de experiências, onde inúmeras conexões estratégicas e negócios foram gerados logo no primeiro café, o Cortex Summit 2026 reuniu grandes nomes no palco para consolidar uma transição fundamental: a saída da inteligência artificial do papel de ferramenta de produtividade individual para o conceito central de organizações aumentadas com IA agêntica.
Essa mudança de paradigma, amplamente debatida ao longo de um dia intenso de trocas e networking, transforma a inteligência artificial em um desafio organizacional e estratégico. Para que a organização aumentada gere impacto econômico mensurável, os especialistas deixaram claro que é indispensável construir alicerces sólidos de governança, dados integrados e modernização de processos.
Nesse novo cenário, o papel humano não perde relevância; pelo contrário, desloca-se da execução operacional para a orquestração, o julgamento e o pensamento crítico, garantindo que a autonomia dos agentes seja sempre orientada por contexto e estratégia de negócio. Nesta cobertura completa, reunimos os principais debates do evento organizados por eixos temáticos, e não por ordem cronológica. Confira os destaques e veja como traduzir esses aprendizados em valor prático para a sua estratégia.
A tese do ano: de pessoas aumentadas para empresas aumentadas
Valéria Duarte, VP de Marketing da Cortex, na abertura do Cortex Summit 2026
Valéria Duarte, VP de Marketing da Cortex, abriu o evento voltando no tempo sobre a edição do ano anterior. Em 2025, o assunto do Cortex Summit foi o quanto a IA amplia a capacidade cognitiva de cada profissional. Doze meses depois, a provocação mudou de escala: não se trata mais de pessoas aumentadas, e sim da presença real de agentes de IA dentro da estrutura da empresa interagindo com times humanos.
Já os fundadores e Co-CEOs Daniel Pires e Leonardo Rangel organizaram a evolução da IA em quatro ondas:
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IA Preditiva: "O que provavelmente vai acontecer?"
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IA Generativa: "Crie isto".
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Agentes de Execução: "Faça isto".
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Colegas Digitais: "Cuide disto".
Daniel ancorou o salto em lançamentos concretos dos últimos dois anos. Modelos passaram a operar interfaces como um humano, ganharam protocolos para se conectar a dados e sistemas, e mostraram agentes assíncronos assumindo tarefas inteiras de engenharia. O horizonte de execução, que era de minutos, virou dias. E o humano, que validava cada passo, passou a entrar só na avaliação do resultado.
Daí nasce o colega digital: um agente persistente, com papel definido, memória, contexto, gatilhos, ferramentas e regras de escalonamento. A diferença em relação a um agente de execução não é durar mais tempo, é ocupar uma responsabilidade dentro da organização. Não se pede uma tarefa a ele, pede-se que cuide de uma função. É a fronteira entre automatizar uma etapa e construir organizações agênticas de verdade.
"Essa mudança de paradigma é tão brutal que ela faz com que a questão deixe de ser tecnológica. Ela vira organizacional." (Daniel Pires)
Daniel Pires e Leonardo Rangel, fundadores e Co-CEOs da Cortex, no Cortex Summit 2026
À pergunta que ele mesmo fez, se as empresas estão preparadas, a resposta foi não, e o diagnóstico veio em três dimensões. No design organizacional, a hierarquia funcional dá lugar a redes planas com times híbridos alinhados por entrega de valor de ponta a ponta. Ele citou ainda o levantamento da McKinsey que mostra que 89% das organizações ainda operam no modelo industrial e apenas 1% já funciona como rede descentralizada. Na dimensão humana, o eixo se desloca de executar para orquestrar e de fazer para julgar, com quatro capacidades subindo de valor: fluência em IA, que ele chamou de novo inglês da nossa época, julgamento, adaptabilidade e relacionamento.
Em processos e dados veio o número que fechou o argumento: 88% das empresas já experimentam IA e apenas 19% relatam ganho real e mensurável. Entre operações de Go-to-Market de alta e baixa performance, segundo levantamento da Bain & Company citado no palco, a diferença chega a 2 vezes mais receita e 1,8 vez menos custo.
Daniel Pires apresenta a máquina de receita da Cortex operada por colegas digitais
A Cortex entrou como laboratório da própria tese com seus colegas digitais. A VitorIA é primeira interface com quem levanta a mão para falar com a Cortex. Ela decide e conduz sozinha, da resposta ao próximo passo, sem fila e sem repasse para um humano no meio do caminho. Ela conversa por e-mail e WhatsApp, consulta agentes especialistas em cada uma das quatro soluções e entrega o lead qualificado ao vendedor com o contexto completo.
Já o Argus AI monitora as interações entre CSMs e clientes. Cruza o que foi dito nas calls com o histórico da conta, identifica riscos, oportunidades, próximos passos e devolve orientação prática para o time agir com contexto. Uma função que era só do gestor humano passou a ser compartilhada.
Leonardo apresentou como essa virada de chave está presente nas quatro soluções da Cortex, saindo de ferramenta que entrega dado para um parceiro que responde diretamente por resultados:
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Cortex Reach parte do cálculo de potencial de mercado inexplorado e evolui para um agente que liga ao ponto de venda, conversa com o vendedor pelo WhatsApp antes, durante e depois da visita, e escala o gargalo ao supervisor ou à liderança.
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Cortex Brand ganha uma camada agêntica que acompanha as publicações sobre a marca, percebe sozinha quando a narrativa muda e chega com contexto, causa e recomendação.
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Cortex Growth passa a combinar o fit de ICP com a temperatura real de cada conta, recomendando o que colher agora, o que aquecer e o que apenas plantar, tratando inbound e outbound como uma conversa só com a mesma empresa.
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Cortex Geofusion ganha uma camada agêntica que assume etapas que vão desde estimar quantas lojas de cada formato cabem em um município até montar o dossiê do ponto para o comitê.
Leonardo Rangel apresenta as novidades das soluções da Cortex com agentes de IA
O anúncio que fechou o bloco foi o Cortex Live, a camada de dados da Cortex disponibilizada para ser consultada por pessoas e por agentes, sob o posicionamento de uma inteligência com três formas de acesso. A primeira é dentro do produto Cortex, como sempre foi. A segunda é dentro do lakehouse do cliente, com as mesmas tabelas vivas no ambiente de dados da empresa. A terceira é dentro do agente do próprio cliente, via protocolo de contexto: o agente pergunta, a Cortex responde. A base cobre mídia, empresas, praças e varejo, e é atualizada de forma contínua.
O ponto por trás do anúncio não é o formato de entrega, é quem passa a consumir dado. Se o time de operações da empresa constrói o próprio agente, esse agente precisa de uma fonte confiável para consultar.
"Você vai passar a ter dois tipos de usuários diferentes: vocês, e os seus agentes." (Leonardo Rangel)
Um dado da própria operação sustentou o argumento de que memória de longo prazo importa: 80% das vitórias recentes tinham aquecimento prévio de relacionamento e apenas 6% nasceram de outbound puro. Não é taxa de conversão, é composição das vitórias, e explica por que um agente sem histórico da conta entrega menos do que promete. O fechamento da apresentação foi de uma frase de Garry Kasparov que resume bem tudo que foi discutido e o que a Cortex acredita: "A verdadeira colaboração não consiste em dividir o trabalho entre máquinas e pessoas, mas em combinar as forças de ambas para resolver problemas e alcançar mais do que qualquer uma delas conseguiria sozinha".
Os cinco imperativos da IA na América Latina
Paula Bellizia, vice-presidente da AWS para a América Latina, falou sobre os cinco imperativos da IA para a América Latina. O ponto de partida foi parar de tratar a IA como tendência futura. O que mudou não foi a existência da tecnologia, e sim a combinação de poder computacional com elasticidade da nuvem, que levou a IA ao ponto máximo de escala.

Os números que ela levou ao palco desenham a oportunidade e o buraco ao mesmo tempo. A IA pode adicionar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão por ano às economias da América Latina; startups nativas de IA crescem em média 150% ao ano; e metade das empresas brasileiras já usa IA diretamente no negócio, não apenas em produtividade. Do outro lado, apenas 23% das empresas da região reportam gerar valor econômico real com IA, número parecido no Brasil.
Ela chamou o cenário de paradoxo latino-americano: a região enfrenta ao mesmo tempo lacunas históricas em regulamentação, formação de talento, dívida tecnológica de infraestrutura legada e questões tributárias que afetam a viabilidade de projetos em escala.
Paula destacou quatro alicerces que precisam estar de pé antes do investimento em IA:
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Stack tecnológico modernizado, porque sem a maior parte das cargas na nuvem o valor não se espalha.
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Dados organizados, governados e seguros, sem os quais cada aplicação vira ilha.
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Segurança tratada em outro patamar de urgência, dentro da agenda de IA e não ao lado dela.
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E governança preparada para humanos, agentes e processos autônomos convivendo.
O recado foi direto: se esses quatro pontos não estão sendo endereçados, a recomendação da própria AWS é não avançar com o investimento.
Sem casa arrumada, a IA só automatiza o desperdício
Fabrício Reis apresenta case da Marsh
Uma das frases que resume o conteúdo do bloco de cases da manhã do Cortex Summit 2026 foi a de Fabrício Reis, Líder de Growth Intelligence na Marsh:
"Se a gente aplicar a IA em processos e dados ruins, a gente só vai estar automatizando o desperdício e amplificando o nosso erro." (Fabrício Reis)
O case da Marsh é sobre o que veio antes da IA. Uma companhia com mais de um século e meio de operação em mais de 130 países operava como quatro negócios, com quatro CRMs e leituras diferentes da mesma conta. O problema não era falta de dado, era excesso de fragmentação. A resposta começou por uma decisão societária, operar como empresa única, e só depois virou sistema.
Fabrício focou na importância da governança e da curadoria humana ao lidar com Inteligência Artificial, ressaltando que modelos de linguagem dependem da qualidade dos dados e não substituem o discernimento humano. Ele defendeu que a IA não extingue áreas, mas transforma as competências necessárias, exigindo uma integração entre a tecnologia e os times especializados.
Em sua apresentação, ele destacou três gargalos principais: o alinhamento de expectativas entre executivos e desenvolvedores, a escolha de tecnologias adaptáveis e a priorização dos dados antes de investir em IA. O executivo também compartilhou a experiência da Marsh com a Cortex na América Latina e recomendou que as empresas comecem pequenos projetos focados na experiência do cliente antes de escalar a tecnologia.
Juarez Borges Neto, Diretor de Planejamento de Franquias no Grupo Boticário, chegou ao mesmo lugar por outro caminho, com uma decisão organizacional que costuma surpreender. A companhia já teve um diretor de inteligência artificial e o cargo deixou de existir, porque concentrar o tema em uma diretoria mantém IA como especialidade de alguém em vez de capacidade de todos.
Ele enfatizou que essa transformação exige uma base sólida de informações, seguindo a lógica de "Data First antes de AI First", pois modelos alimentados com dados incorretos acabam inventando respostas. Além disso, ressaltou que o maior valor gerado para o negócio ocorre exatamente na intersecção entre as soluções desenvolvidas pelo time técnico e as inovações criadas de baixo para cima pelos próprios colaboradores.
Juarez Borges Neto, do Grupo Boticário, no bloco sobre como preparar o terreno para trabalhar com IA
"IA sem dados é retrabalho. Se você não está dando o dado correto para ela, ela vai inventar o dado, ela vai delirar." (Juarez Borges Neto)
Na prática, essa cultura viabilizou cases de sucesso como o uso de modelos preditivos e dados territoriais para apoiar a expansão de lojas e a criação de assistentes conversacionais que substituíram dashboards estáticos por diagnósticos rápidos para os consultores comerciais.
Para melhorar a assertividade, a companhia usa o Pulso Urbano, a camada de inteligência de mobilidade do Cortex Geofusion, que traz impacto, alcance e frequência de passantes por endereço a partir de dados mobile. E a leitura do que existe ao redor de um endereço, detalhada no artigo sobre análise de entorno no geomarketing, continua sendo o que separa um bom ponto de um erro caro em expansão de franquias.
Provocando o público, Juarez afirmou que "a IA é o novo Excel", indicando que o domínio da tecnologia passará a ser um requisito básico para os profissionais. Utilizando uma analogia com a Fórmula 1, ele concluiu que, embora as novas ferramentas tornem a operação da empresa mais leve, ágil e potente, o "piloto" humano continua sendo insubstituível para o julgamento de contexto e a tomada final de decisão.
Onde a máquina para: expansão, campo e sola de sapato
Roberto Leivas, Diretor de Desenvolvimento do KFC Brasil, apresentou como a marca usa inteligência artificial para estruturar seu crescimento no país diante do desafio de expandir a operação das praças de alimentação de shoppings para lojas de rua e drive-thru. Leivas destacou que o sucesso do uso da IA depende fundamentalmente da qualidade dos dados inseridos, reforçando que a máquina analisa milhares de cenários com rapidez, mas só entrega respostas certas se for alimentada com o alicerce mercadológico correto.
Roberto Leivas, do KFC, destacou aimportância de um time que conhece o mercado
Apesar de todo o poder analítico da tecnologia, a tese central do executivo foi a valorização insubstituível do fator humano na tomada de decisão. Leivas defendeu a necessidade de a equipe "gastar sola de sapato", indo a campo para compreender barreiras geográficas, usar drones para análises visuais de fluxo e capturar o verdadeiro "cheiro da rua" que o algoritmo não consegue ler. Para ele, a verdadeira inovação acontece por meio dessa inteligência aumentada: quando a alta capacidade de previsão de vendas da IA se encontra com a vivência prática e o senso crítico de um time que conhece o mercado a fundo.
"Não basta ter a IA, você tem que alimentar a IA da maneira correta." (Roberto Leivas)
A companhia utiliza Cortex Geofusion e a partir do preditor de vendas tem previsão mínima e máxima e um mapa em hexágonos indicando onde o território é mais aderente ao negócio. Cada inauguração devolve dado real para a IA corrigir o parâmetro. O limite ficou explícito. A máquina processa, compara cenários e prediz desempenho. A decisão continua humana.
Eric Campos, Diretor Comercial da BIC Brasil, levou a mesma lógica para o outro extremo da cadeia, o ponto de venda. O case começa com uma distinção que rende para qualquer marca conhecida: notoriedade não é presença. A BIC é a primeira marca que vem à cabeça quando se fala em caneta, e é perfeitamente possível entrar numa papelaria e não encontrar a marca na prateleira.
O diagnóstico veio de três forças simultâneas, nenhuma delas sobre produto. O consumidor voltou à papelaria de bairro, com compra recorrente e pulverizada em vez do evento anual concentrado na grande rede. A concorrência multiplicou. E o shopper passou a circular por muito mais pontos, físicos e online.
Eric Campos, da BIC Brasil, detalha o case da empresa com uso de dados
O nó do projeto era a ausência de dado. A solução por trás do projeto é o Cortex Reach, a oferta da Cortex para indústrias de bens de consumo, que parte do cálculo do potencial de mercado ainda não capturado e leva a recomendação até a visita. O primeiro passo do trabalho não foi aplicar inteligência artificial. Foi construir a base. Eric foi explícito ao colocar a IA no lugar de recurso, não de protagonista: o sucesso do projeto dependia de usar bem o que a tecnologia aporta, mas o que decide é saber o que fazer com o resultado.
Com a base pronta, a pergunta deixou de ser onde a marca está e passou a ser o que cada loja pede:
"Existem muitas formas de se vender papelaria. E a melhor delas é a que tem a cara daquele ponto de venda." (Eric Campos)
Uma grande loja de shopping com mix completo e uma papelaria de bairro gerida pelo dono são negócios diferentes que só por acidente dividem o mesmo rótulo de canal, e isso define estrutura de atendimento, sortimento mínimo e material de visibilidade. Em autosserviço, a embalagem trabalha a favor da marca. Em loja de balcão, a decisão passa pela indicação do balconista.
Na execução, duas entregas sustentam a operação: um dashboard de acompanhamento e o agente de IA que conversa com o representante comercial pelo WhatsApp. O motivo é operacional e sem romance: ninguém abre planilha enquanto estaciona o carro no bairro para descobrir se aquela papelaria existe e qual é o mix indicado. O ponto de chegada foi sair de uma cobertura concentrada em poucos estados, herdada de onde o distribuidor grande já estava, para presença estruturada em quase todo o país, com a capacidade adicional de avaliar a qualidade da execução de vendas no PDV de cada parceiro, e não apenas o volume que ele compra.
Comunicação deixa de reportar atividade e passa a mover decisão
Deborah Rodrigues, Diretora de Comunicação na Cogna, abriu o case com uma constatação incômoda. Nunca houve tanto dado, tanta ferramenta e tanto modelo disponível, e isso não significa que estamos decidindo melhor. O feeling não deixou de valer, mas deixou de ser sustentável como referência, porque não sobrevive a uma conversa com o comitê executivo.
O trecho mais transferível foi a distinção entre evidência de atividade e evidência de impacto. Ela admitiu ter cometido o erro que descreveu, demonstrar valor pela atividade concluída, do tipo saímos nesta revista e geramos este alcance. A pergunta que voltava do C-level era outra: o que aquilo mudou, para qual stakeholder e qual objetivo de negócio foi movido.
Deborah Rodrigues apresentou como a Cogna mostra o valor da Comunicação para o C-Level
"Dashboard bonito que não muda a próxima decisão não é inteligência. É decoração." (Deborah Rodrigues)
Deborah voltou do SXSW de 2023 decidida a não fazer o projeto óbvio de usar IA para revisar texto, e foi atrás de dores reais, encontrando a construção de marca empregadora e o receio do colaborador de publicar sobre a empresa e infringir regra de governança de mercado de capitais. Daí nasceu um chatbot conversacional integrado ao Teams que entrega o texto no tom de voz da marca. O segundo movimento foi através do Cortex Brand, que construiu o agente de objetivos e métricas que nasceu daí está hoje disponível dentro do Cortex Brand, e é um exemplo concreto do que muda quando entram agentes de IA na comunicação.
Renato Sales, gerente de Comunicação Externa no Grupo Carrefour Brasil, demonstrou como o uso inteligente de dados transformou a relevância da sua área diante de um cenário de reestruturação e forte pressão orçamentária. Ele defendeu o abandono das chamadas "métricas de vaidade" em favor de indicadores que dialoguem com o negócio, como o NPS.
Para ilustrar, Renato compartilhou o case da Páscoa: ao analisar dados em parceria com o time comercial, a Comunicação fugiu do foco exclusivo em ovos de chocolate e emplacou pautas sobre o salmão como alternativa acessível e barras de chocolate para pequenos empreendedores. O sucesso da estratégia provou o valor da área para o C-Level e garantiu a manutenção do orçamento.
Renato Sales, do Carrefour Brasil, fala sobre o case de sucesso da Páscoa
O painel também contou com a participação de Cláudia Bogossian, gerente de produto da Cortex, que demonstrou na prática o impacto da Inteligência Artificial nesse processo com a solução Cortex Brand. Eles destacaram como os agentes de IA identificam sinais e tendências com rapidez, permitindo que o ciclo de trabalho do profissional comece alguns passos à frente. Com o ganho de tempo, o time humano pode focar no julgamento crítico de "onde" e "como" comunicar, adaptando a mensagem às diversas realidades logísticas e culturais regionais do Brasil. A grande lição deixada pela palestra resumiu bem essa parceria: a máquina analisa, mas é o ser humano quem decide.
Revenue Architecture: crescimento como sistema, não como talento individual
Jacco van der Kooij, fundador da Winning by Design, e Renata Centurión, sócia-diretora para a América Latina da Winning by Design, pediram à plateia que olhasse marketing e vendas como um engenheiro olha. A analogia foi com pontes: depois de milhares de anos, existem basicamente sete tipos, cada um baseado em um modelo com seis elementos, e é por isso que uma ponte construída há um século continua de pé. Se um sistema pode ser dividido em modelos, cada modelo pode ser testado, simulado e ensinado.
Jacco van der Kooij e Renata Centurión apresentam os modelos de Revenue Architecture
Renata fez a tradução industrial e trouxe a inversão que a IA impõe. Historicamente, pessoas vinham primeiro, com processos e sistemas atrás. Agora processos e sistemas organizam a empresa antes, e as pessoas são alocadas onde produzem mais valor.
Sobre essa base, seis modelos compõem a Revenue Architecture. O modelo de receita aparece como um arco: de um lado o cliente paga antecipado e assume o risco, do outro só paga se o impacto for entregue. Ao longo dele estão ownership, subscription e outcome, com alavancas dominantes distintas, e as métricas mudam de forma previsível, com o ciclo de venda indo de meses para semanas e depois para minutos.
O modelo de dados corrige o funil clássico, que para exatamente onde a receita recorrente começaria. Deitado e somado ao outro lado, ele vira o Bowtie, que inclui integração, adoção e crescimento da conta. Ali Renata amarrou a causa mais comum de perda de cliente: a empresa não sabe de verdade qual impacto entrega.
O modelo matemático foi o que mais explicou atrito organizacional. Do lado da aquisição a queda é hiperbólica, então quanto mais se faz, menos se recebe, o que vale tanto para disparo de e-mail quanto para número de reuniões com o mesmo cliente. Do lado da retenção a curva inverte e o tempo joga a favor, no que ele chama de impacto composto. A consequência é estrutural: vendas e sucesso do cliente vivem em atrito por desenho, não por personalidade, porque uma área precisa de velocidade e a outra de permanência.
O modelo operacional é onde a IA entra no título. Cada função opera em silo com processo, dado e ferramenta próprios, e o cliente não enxerga silo, enxerga jornada. A recomendação é decompor a jornada em microprocessos medindo apenas volume, taxa de conversão e tempo, com um framework único atravessando os dois lados. A ressalva foi explícita: a IA ajuda a corrigir a desconexão da jornada, mas só opera sobre modelo padrão, linguagem comum e metodologia uniforme. Sem isso, a camada de inteligência só acelera o que já estava desalinhado na execução de GTM.
O modelo de Go-to-Market partiu de uma afirmação que incomodou parte da plateia. A era do inbound abundante acabou, e a máquina baseada em busca, e-mail e conteúdo social sempre teve o mesmo problema estrutural, a dependência de gasto crescente. A alternativa são loops de crescimento, do viral ao de advocacia, e dentro do loop de advocacia veio a distinção mais afiada do dia:
"Uma empresa de IA não pensa em logotipos. Ela pensa em usuários." (Jacco van der Kooij)
O modelo de crescimento fechou com a curva S e o alerta de sempre: toda curva chega ao platô quando o mercado acessível se esgota, e quem não empilha a próxima curva vira curva sino. Jacco lembrou Nokia, Ericsson e BlackBerry, e explicou que a curva S não é invenção de negócio, é a curva de crescimento de tudo que é vivo. A metáfora que ele usou para fechar foi de polinização: software cresce quando o produto tem semente, e em venda entre empresas a abelha que poliniza é o próprio usuário, o que significa que espalhar precisa ser fácil. Renata encerrou com um pedido prático, trazer marketing, vendas e sucesso do cliente para a mesma mesa já no dia seguinte. É o mesmo princípio que organiza a abordagem de GTM Intelligence, tratar ida ao mercado como sistema contínuo, não como campanha isolada.
O painel: o obstáculo nunca foi a tecnologia
O Painel Endeavor com Líderes reuniu quatro operações muito diferentes entre si para responder a uma pergunta única: qual é o obstáculo comum às empresas na adoção de IA. Uma organização sem fins lucrativos, uma plataforma digital, uma empresa de software e uma indústria de bens de consumo. Nenhuma das respostas foi tecnológica, e os dois temas que atravessaram todas as falas foram governança de dados e cultura.
Painel Endeavor com Líderes no palco do Cortex Summit 2026, com André Lopes, da EXAME, na mediação
"A IA realmente transforma não quando ela faz apenas o mesmo mais rápido, mas quando ela permite que você mude a forma como você entrega valor." (Maria Teresa Fornea)
Estiveram presentes:
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Maria Teresa Fornea, Diretora Geral da Endeavor Brasil
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Rafael Bozza, CHRO do iFood
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Daniel Hoe, VP de Marketing Latam na Salesforce
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Teo Figueiredo, General Manager Brazil da The Magnum Ice Cream Company
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André Lopes, Editor de IA e Tech na EXAME (mediação)
O consenso entre os convidados foi claro: os maiores obstáculos para a adoção da tecnologia não são técnicos, mas sim de governança de dados, mapeamento de processos e cultura organizacional. Raphael Bozza, do iFood, compartilhou a estratégia de focar primeiro na adoção em massa da IA pelos colaboradores, buscando democratizar a ferramenta na empresa antes de focar em produtividade ou curadoria. Já Maria Teresa Fornea, da Endeavor, ressaltou que a eficiência proporcionada pela IA deixou de ser um diferencial e se tornou um requisito básico, exigindo que as empresas repensem totalmente seus modelos de negócio do zero, em vez de apenas automatizarem fluxos antigos.
Na frente prática, os executivos alertaram sobre os riscos de uma implementação mal desenhada. Daniel Hoe, da Salesforce, ressaltou que automatizar processos ruins com IA apenas "amplifica a falha", defendendo que os agentes devem atuar para complementar e ampliar a capacidade dos times humanos, sem substituí-los. Esse conceito na vida real foi ilustrado por Teo Figueiredo, da Magnum, que relatou o aprendizado da empresa ao transformar uma IA que antes competia comercialmente com os vendedores em um verdadeiro "copiloto" de suporte e gestão administrativa. No fim, a principal mensagem do painel foi de que as organizações se tornam de fato "aumentadas" quando unem a agilidade dos agentes à inteligência humana, que continua sendo indispensável para as decisões estratégicas e para o relacionamento com o cliente.
"Se os seus processos são falhos, na hora que você coloca a IA você vai amplificar a falha. Vai acontecer mais rápido a falha." (Daniel Hoe)
Pensamento crítico, a habilidade zero
Martha Gabriel, consultora, escritora e futurista, fechou o evento falando sobre gente. Ela destacou que pensamento crítico é a habilidade principal do futuro e quase ninguém explica como se faz.
Martha Gabriel na keynote de encerramento do Cortex Summit 2026
A primeira metade foi diagnóstico. Toda decisão envolve emoção, que gera impulso, vieses, que distorcem a leitura da realidade, e cognição, que tem limite em qualquer pessoa. Sobre esses fatores atuam amplificadores como tempo, fadiga, pressão, cultura, complexidade e a própria tecnologia, e é o amplificador que transforma erro previsível em erro inevitável e em escala.
Ela lembrou que o cérebro biológico é praticamente o mesmo de quarenta mil anos atrás e que o instinto primitivo faz três coisas o tempo todo: aumentar prazer, diminuir dor e economizar energia. Na caverna isso salvava vida. Hoje produz o sofá, o streaming e o feed infinito.
O estudo que ela usou para falar de IA e cognição foi o do MIT em que metade de uma turma resolveu um problema com o próprio raciocínio antes de recorrer à máquina e a outra metade foi direto para a IA generativa. Quem foi direto teve atividade cerebral baixa, não lembrava do que fez e não tinha senso de autoria. Quem pensou antes teve atividade normal e, ao usar a IA depois, atividade elevada e mais memória do processo.
"A IA tem que ser copiloto. Ela não pode estar no piloto automático." (Martha Gabriel)
O método tem cinco pilares. Questionamento, que amplia e busca verdade, não vitória em discussão, com a certeza prematura como pior alicerce de decisão. Superação de vieses, que regula, com o viés de confirmação no topo da lista por sobreviver até à era do dado, e a convivência com pessoas diversas como melhor antídoto. Lógica, argumentação e retórica, que direciona, com a distinção prática entre fato, que é observável, interpretação, que é múltipla, e opinião, que deve gerar hipótese e não conclusão. Repertório, que alimenta e mudou de função, porque a IA já tem todos os repertórios e o seu serve para julgar o que ela devolve. E valores e atitudes humanas, que validam, porque decisão tecnicamente correta ainda passa por filtro humano.
Ela chama isso de habilidade zero porque sem ela as outras não se sustentam: criatividade não vira inovação, domínio técnico não sabe onde implementar e resiliência faz a pessoa aguentar muito além do ponto em que deveria mudar de caminho. Reconheceu que o método desacelera a resposta e argumentou que acelera a adaptação, já que não adianta ir rápido na direção errada. E distinguiu inteligência, que é hardware majoritariamente herdado, de pensamento crítico, que é software e precisa ser educado, com a observação de que hardware potente e software ruim só produzem coisa ruim mais rápido.
Ecossistema, experiências e o que vem pela frente
O impacto do Cortex Summit 2026 extrapolou os palcos do Teatro Santander. Nos três andares do espaço, os participantes puderam circular por estandes interativos e ativações de marcas do ecossistema, incluindo espaços dedicados ao Cortex Community e demonstrações ao vivo das soluções Cortex Geofusion, Cortex Growth, Cortex Brand e Cortex Reach, conduzida por quem constrói cada produto.
Estande da Cortex no térreo do Teatro Santander, com as quatro ofertas lado a lado
Outro grande destaque foi o estúdio de gravação de podcast, montado em uma parceria entre a Cortex e o Mundo do Marketing, media partner do evento. Durante todo o dia, palestrantes, patrocinadores e executivos passaram pelo espaço para gravar episódios, garantindo que os debates e insights do palco fossem aprofundados.
Gravação de episódio no estúdio do Mundo do Marketing durante o Cortex Summit 2026
No encerramento, o evento celebrou o conhecimento com o sorteio de dois exemplares de cada um dos livros recomendados pelos palestrantes ao longo do dia. A programação terminou com o sorteio de prêmios especiais para o público: um óculos Ray-Ban Meta e três Volvo Experiences, que garantem sete dias de uso de um carro à escolha da marca.
A realização do Cortex Summit 2026 contou com o apoio conjunto de empresas líderes em inovação e mercado:
- Patrocinadores: Mastercard, 8D Hubify, Databricks, AWS, TD, Live University, WAID, Elephan.ai, Meetrox e Settle.
- Apoiadores: Endeavor, BIC Brasil, Volvo, The Fini Company, Ultra Academia, Mágio Chocolates, The Magnum Ice Cream Company, Pusco, Flash, Owl Coffee, N2 e Cruzeiro do Sul.
- Parceiros: Agendor, Aberje, Central do Varejo, Maestro ABM e PipeLovers.
- Media Partner Oficial: Mundo do Marketing.
Cada palestra da programação virou um resumo estruturado com os principais destaques da apresentação. Todos os participantes têm acesso exclusivo aos materiais completos pelo aplicativo do Cortex Community ou via login no site.
Se você esteve no Teatro Santander, acesse agora a plataforma para rever os principais destaques de cada palestra.
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Para quem não esteve presente, o cadastro no Cortex Community é gratuito, não exige ser cliente e dá acesso a cursos, webinars, podcast e materiais ricos. Além de acelerar o desenvolvimento da sua equipe, a comunidade é o canal oficial por onde serão enviados os convites para os nossos próximos eventos.
O Cortex Summit 2026 encerra este capítulo consolidando os pilares das organizações aumentadas, mas a jornada de transformação continua. No ano que vem tem muito mais. Nos vemos no Cortex Summit 2027!
Sobre a Cortex
A Cortex é a empresa líder em Inteligência Aumentada aplicada a Go-to-Market. Temos a mais completa plataforma de inteligência de GTM, que une dados, inteligência artificial e os maiores especialistas do mercado.
Da Indústria ao Varejo, do B2B ao B2C. Conheça nossas soluções. Ou, se tiver urgência, não perca tempo: agende uma conversa com a equipe de especialistas Cortex!