Geoprocessamento: o que é e como funciona?
O geoprocessamento é um conceito que abrange o processamento de dados georreferenciados. Nesse contexto, utiliza-se diversas técnicas e sistemas para a coleta, leitura, manipulação e análise das informações geográficas de uma área estudada.
Para coletar esses dados, são utilizadas geotecnologias como cartografia, sensoriamento remoto por satélites, GPS, entre outras. Além disso, o processamento e visualização dessas imagens podem ser feitos em softwares in loco ou em nuvem.
Essa metodologia tem se tornado cada vez mais relevante na área de inteligência geográfica. Neste artigo, você vai entender a fundo o que é o geoprocessamento, como ele se relaciona com o geomarketing, suas vantagens e muito mais.
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O que é geoprocessamento?
O geoprocessamento é um conjunto de técnicas e tecnologias que envolve a coleta, processamento, análise e visualização de dados geográficos.
Entre esses dados estão informações como localização de pontos de interesse, limites territoriais, relevo, clima, entre outros. Além disso, essas informações são essenciais para compreender aspectos geográficos de determinada região ou área de estudo.
Por meio de sistemas de informação geográfica (SIG) e outras ferramentas especializadas, é possível criar mapas temáticos, realizar análises espaciais e gerar conhecimento a partir delas. Adicionalmente, essas tecnologias permitem uma melhor compreensão da distribuição geográfica dos dados e suas interações.
Dessa forma, o geoprocessamento facilita a tomada de decisões estratégicas baseadas em informações geográficas em diversos setores.
Geoprocessamento e SIG: de onde vem o conceito e por que ele se consolidou
Como vimos, o geoprocessamento é a aplicação de métodos computacionais sobre dados referenciados no espaço. Por isso, ele depende de padrões de localização, modelagem e armazenamento. Além disso, ele se apoia em um ecossistema de geotecnologias.
Nesse conjunto, o SIG (Sistema de Informações Geográficas) funciona como a “camada operacional” para integrar dados e produzir análises.
Historicamente, o termo ganhou força quando cartografia, sensoriamento remoto e posicionamento por satélite ficaram mais acessíveis. Em seguida, bancos de dados espaciais e ferramentas de visualização ampliaram o uso fora da academia.
O tema saiu, portanto, do mapa estático e virou análise recorrente. Consequentemente, passou a sustentar decisões em planejamento urbano, agricultura, meio ambiente, logística e mercado.
No Brasil, a padronização do referencial geodésico ilustra essa maturidade técnica.
Desde 25 de fevereiro de 2015, o SIRGAS2000 passou a ser adotado de forma exclusiva, encerrando a convivência com referenciais anteriores em várias bases. Isso importa porque “endereço” sem referencial consistente resulta em ruído analítico.
Em suma, falar de geoprocessamento exige falar também de precisão e comparabilidade.
Fundamentos técnicos do geoprocessamento: dados vetoriais e matriciais, sistemas de coordenadas e projeções
Em geoprocessamento, os dados costumam assumir dois modelos principais: vetorial e matricial (raster).
O vetorial representa pontos, linhas e polígonos com atributos associados. Já o matricial organiza a informação em células, útil para fenômenos contínuos.
É importante saber, portanto, que o modelo escolhido afeta desempenho, detalhe e tipos de análise.
Na prática, o vetor tende a ser preferido para redes, limites e cadastros. Enquanto isso, o raster é mais comum para relevo, temperatura, imagens e índices derivados.
Além disso, as análises mudam conforme a estrutura do dado. Por exemplo, rotas e vizinhança funcionam bem em vetor. Em contrapartida, interpolação e classificação são mais diretas em raster.
Outro ponto crítico é o sistema de coordenadas, que define onde algo está de forma matematicamente consistente. Dentro disso, projeções cartográficas entram para representar uma superfície curva em um plano. No processo, sempre há distorções, variando entre área, forma, distância e direção.
Aqui há um ponto sensível: escolher projeção sem critério compromete medidas e comparações.
Para reduzir erros, vale aplicar um checklist simples:
- confirmar referencial adotado e a data de referência quando aplicável;
- Padronizar projeções antes de medir distâncias, áreas e tempos de deslocamento;
- documentar metadados, escala e resolução, para evitar leituras indevidas.
- rodar validações de qualidade, com amostras e regras de consistência.
Geoprocessamento aplicado ao crescimento: expansão, cobertura e eficiência operacional
Quando o objetivo é crescer com previsibilidade, o geoprocessamento deve ser usado de maneira estratégica.
Primeiro, ele é usado para integrar dados internos, como vendas, carteira, cobertura e custos. Em seguida, é cruzado com dados externos, como demografia, mobilidade, concorrência e perfil do entorno. Por fim, transforma-se isso em hipóteses testáveis, com critérios claros.
Esse fluxo responde a perguntas de negócio que, sem espacialização, ficam genéricas. Por exemplo:
- Onde há concentração de demanda não atendida?
- Quais áreas indicam maior risco de canibalização?
- Onde a operação perde eficiência por rota, distância ou tempo?
- Quais territórios sustentam metas realistas, com equilíbrio entre potencial e capacidade?
Há também um ganho de alinhamento entre áreas quando a análise espacial entra na linguagem comum.
Em pesquisa recente com mais de 100 tomadores de decisão em varejo e manufatura, 98% viram valor em colaborar para “planos de categoria” melhores, com compartilhamento de insights. Isso reforça um ponto prático: o geoprocessamento escala quando reduz silos. Isto é, quando é usado para que planejamento comercial, operação e estratégia trabalhem sobre a mesma base.
Além disso, tendências setoriais apontam pressão por interoperabilidade, competências e integração com Inteligência Artificial. Na prática, isso se traduz em duas exigências: governança de dados e rotinas de atualização.
Sem esses pilares, o mapa desatualiza e a decisão volta a ser reativa. Com eles, a análise se transforma em processo contínuo – não é ação pontual.
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Qual a diferença entre geoprocessamento e geomarketing?
Também conhecida como inteligência geográfica de mercado ou location intelligence, o geomarketing tem funções amplas para diversos setores. Além disso, pode ser utilizado tanto para uma visão espacial em escala micro (potencial do entorno de uma loja, por exemplo) quanto em uma ótica mais ampla.
Um exemplo são as indústrias de bens de consumo que precisam descobrir oportunidades de penetração de produtos por município.
O geoprocessamento, por sua vez, é a tecnologia responsável pela coleta, análise e visualização de dados geográficos. Por essa razão, desempenha um papel fundamental no geomarketing, pois fornece os dados necessários para análise e tomada de decisões.
Como funciona o geoprocessamento?
O geoprocessamento envolve 5 etapas:
- Coleta de dados.
- Armazenamento de dados.
- Processamento e análise de dados.
- Visualização e representação.
- Tomada de decisão.
Quais são as etapas do geoprocessamento?
O geoprocessamento compreende 5 etapas que são essenciais para o seu funcionamento adequado.
A seguir, veja quais são elas e como funcionam.
1. Coleta de dados
A coleta de dados no geoprocessamento consiste na obtenção de informações geográficas relevantes, como:
- mapas;
- imagens de satélite;
- dados topográficos;
- dados de sensoriamento remoto.
Esses dados podem ser adquiridos de diversas fontes, como órgãos governamentais, empresas especializadas e levantamentos próprios.
2. Armazenamento de dados
Após a coleta, os dados geográficos são armazenados em um banco de dados ou em um sistema de arquivos especializado. Assim, essa etapa permite que as informações sejam organizadas e acessadas de maneira eficiente para as análises posteriores.
3. Processamento e análise de dados
Nesta etapa, os dados são processados e analisados utilizando técnicas e algoritmos específicos. Entre essas análises estão cálculos matemáticos, interpolação, sobreposição de camadas, análise de proximidade, entre outras operações.
O objetivo é obter informações significativas e extrair conhecimentos a partir dos dados geográficos.
4. Visualização e representação
Após a análise dos dados, é possível criar representações visuais, como mapas temáticos, gráficos, diagramas e outros formatos visuais. Dessa forma, essa etapa permite uma melhor compreensão e comunicação dos resultados obtidos.
5. Tomada de decisão
Os resultados do geoprocessamento são utilizados para embasar a tomada de decisão em diferentes áreas, como planejamento urbano, alimentação fora do lar, ensino, agricultura, logística e marketing.
Além disso, as informações geográficas fornecidas pelo geoprocessamento permitem uma compreensão mais completa dos fenômenos espaciais. Com isso, auxiliam na identificação de padrões, tendências e oportunidades.
Quais são as vantagens do uso do geoprocessamento?
Existem diversas vantagens competitivas ao aplicar técnicas de geoprocessamento e geomarketing em sua empresa. A seguir, veja algumas delas:
1. Segmentação de mercado mais precisa
Com geomarketing, através de técnicas e tecnologias de geoprocessamento, é possível segmentar o mercado de forma mais precisa. Dessa forma, é possível identificar áreas geográficas com características semelhantes e direcionando mais facilmente as estratégias de marketing e prospecção.
Assim, as empresas podem adaptar suas estratégias para atender às necessidades específicas de cada região, aumentando a eficiência das ações e maximizando os resultados.
2. Seleção estratégica de pontos de venda
Utilizando dados geográficos, o geoprocessamento auxilia na seleção estratégica de pontos de venda. É possível identificar locais com maior potencial de consumo, analisar a concorrência na região, verificar a acessibilidade e infraestrutura disponível, entre outros fatores relevantes.
Dessa forma, essa vantagem é aplicável a uma variedade de segmentos, em especial às indústrias de bens de consumo. Afinal, com geoprocessamento e geomarketing, é possível identificar áreas com grande demanda por determinados produtos ou serviços.
Além disso, é possível analisar informações sobre transporte público, vias de acesso, estacionamentos, entre outros elementos que influenciam a escolha do consumidor.
Assim, as empresas podem optar por locais que ofereçam facilidades aos clientes e garantam uma experiência positiva de compra.
3. Otimização da distribuição e logística
A análise geográfica também permite otimizar a distribuição e logística das empresas.
Ao mapear a localização dos clientes, é possível planejar rotas de entrega mais eficientes, reduzindo custos e tempo de transporte.
Além disso, a análise espacial dos dados ajuda a identificar gargalos logísticos e encontrar soluções para melhorar a eficiência operacional.
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4. Previsão de tendências e comportamento do consumidor
Por fim, é possível prever tendências de mercado e comportamentos do consumidor através de dados geográficos.
Ao analisar padrões de consumo em diferentes regiões, é possível identificar oportunidades de mercado, antecipar demandas e adaptar suas estratégias de acordo.
Essa visão preditiva é extremamente importante para toda empresa que deseja se manter à frente da concorrência.
Geoprocessamento e geomarketing: faça muito mais
O geoprocessamento é papel crucial no geomarketing e, juntos, oferecem uma ampla gama de benefícios para as empresas. Ao utilizar dados geográficos estratégicos, é possível:
- Segmentar o mercado de forma mais precisa;
- Encontrar as regiões mais prósperas para expandir;
- Otimizar a distribuição e logística;
- Prever tendências;
- Criar estratégias de precificação;
- Aumentar vendas;
- Aprimorar operações de e-commerce e delivery;
- Entender a dinâmica das regiões;
- E muito mais!
É cada vez mais importante aproveitar ao máximo as informações disponíveis e utilizar técnicas como o geoprocessamento e geomarketing para obter insights valiosos, capazes de basear importantes decisões nos negócios.
FAQ – Perguntas frequentes sobre geoprocessamento
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1. O que é geoprocessamento?
Geoprocessamento é o processamento informatizado de dados georreferenciados. Ele organiza, manipula e analisa informações ligadas a coordenadas. Assim, transforma registros espaciais em informação útil para decisões.
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2. O que são dados georreferenciados, na prática?
São dados associados a uma localização no espaço, com coordenadas. Eles podem representar pontos, linhas e áreas. Além disso, incluem atributos descritivos, como categoria, volume ou data.
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3. Geoprocessamento e SIG são a mesma coisa?
Não. Geoprocessamento é o conjunto de técnicas para tratar informação geográfica. Já o Sistema de Informação Geográfica (SIG) é uma classe de ferramentas computacionais. Por isso, o SIG viabiliza análises, bancos georreferenciados e mapas.
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4. Quais geotecnologias costumam alimentar um projeto de geoprocessamento?
Cartografia e bases cartográficas são comuns. Também entram sensoriamento remoto, imagens de satélite e GPS. Além disso, levantamentos próprios e dados de órgãos públicos complementam a base.
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5. Quais são as etapas do geoprocessamento?
Em geral, o fluxo passa por coleta, armazenamento e processamento dos dados. Em seguida, vem a análise e a visualização em mapas e relatórios. Por fim, os resultados embasam decisões operacionais e estratégicas.
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6. O que acontece na fase de processamento e análise espacial?
Nessa etapa, dados são tratados com métodos e algoritmos. Assim, aplicam-se operações como sobreposição de camadas e análise de proximidade. Além disso, é possível identificar padrões, tendências e relações espaciais.
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7. O que são mapas temáticos e por que eles importam?
Mapas temáticos representam um tema específico, como densidade, risco ou potencial. Eles sintetizam dados complexos em uma visualização objetiva. Dessa forma, facilitam a comunicação e priorização de ações.
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8. O que significa analisar relações geotopológicas?
É analisar como elementos se relacionam no espaço, além do “onde”. Por exemplo, adjacência, interseção, contenção e conectividade. Assim, a análise explica relações entre ocorrências e territórios.
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9. Em quais áreas o geoprocessamento é mais usado?
Ele impacta cartografia, recursos naturais e planejamento urbano e regional. Também sustenta transportes, comunicações e energia. Além disso, aparece em logística, agricultura e marketing, dependendo do objetivo.
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10. Qual a diferença entre geoprocessamento e geomarketing?
Geoprocessamento trata dados espaciais e produz análises e representações. Já o geomarketing usa essas saídas para orientar decisões de mercado. Portanto, o geoprocessamento é base técnica para o uso mercadológico.
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11. Como o geoprocessamento apoia a tomada de decisão?
Ele reduz achismos ao conectar decisão a evidências territoriais. Assim, revela concentração, lacunas, acessibilidade e concorrência. Além disso, ajuda a priorizar investimentos, rotas e expansão com critérios claros.
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12. Como a popularização de mapas digitais mudou o geoprocessamento?
Com a web, o acesso deixou de ser restrito a especialistas. Então, mapas digitais e plataformas ampliaram o uso cotidiano. Além disso, surgiram aplicações mais simples, voltadas a consulta e visualização.
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13. Como o geoprocessamento se desenvolveu no Brasil?
A difusão ganhou força a partir de iniciativas acadêmicas, sobretudo nos anos 1980. Depois, órgãos e centros de pesquisa impulsionaram ferramentas e formação de pessoas. Além disso, a década de 1990 consolidou o uso no mercado e no governo.
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14. Geoprocessamento é o mesmo que geoinformática?
Geoinformática costuma ser usada como termo mais amplo. Em alguns contextos, ela engloba práticas e tecnologias relacionadas à informação geográfica. Por isso, os termos aparecem como próximos, embora não sejam idênticos.
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15. Quais cuidados aumentam a qualidade de um trabalho de geoprocessamento?
Primeiro, padronize projeções, escalas e metadados. Em seguida, valide fontes e consistência entre camadas e atributos. Além disso, documente critérios e limites de uso para evitar interpretações incorretas.
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