Estudar as características demográficas de uma região é uma atividade que consiste em entender aspectos da população do local.
Isso inclui número de habitantes, comportamentos das pessoas e movimentações – como fluxos migratórios. Ademais, aumento ou decréscimo no número de moradores, além de recortes sociais como gênero, faixa etária, raça, etnia e assim por diante.
“Demografia” é uma palavra que vem do grego demos, que significa “povo”, e graphein, “escrita”. Trata-se, portanto, de uma forma de manter registros a respeito das pessoas e de mudanças que acontecem em diferentes territórios.
Essas análises são bastante utilizadas em áreas como geografia, estatística, inteligência de mercado, entre diversas outras.
Afinal, é a partir de dados como esses que são elaboradas pesquisas, estratégias empresariais, políticas públicas, campanhas publicitárias e várias ações que tenham como foco grupos ou segmentos específicos.
Vamos nos aprofundar nisso?
Leia com atenção os seguintes tópicos:
As características demográficas correspondem a definições utilizadas na classificação de grupos sociais e indivíduos.
Elas permitem compreender valores, hábitos, crenças, experiências e até mesmo acesso a bens e serviços que as pessoas acabam tendo em comum.
Por exemplo, crianças até determinada idade costumam frequentar a escola. Elas recebem atividades de acordo com suas capacidades. Além disso, dependem dos pais não apenas financeiramente, mas também ao saírem de casa.
Isso é algo que muda gradualmente na adolescência ou nos primeiros anos da maioridade. Afinal, junto aos novos acontecimentos que ocorrem na vida ao longo dessa fase, outros interesses começam a se manifestar. Por exemplo, músicas, profissões, e assim por diante.
Se analisadas pessoas nessa idade que morem em lugares distintos - como, por exemplo, jovens de bairros com alto poder aquisitivo x jovens que cresceram em áreas com poucos recursos -, logo se percebe que se tratam de variáveis demográficas diferentes.
Ou seja, as histórias e visões de mundo desses dois grupos muito provavelmente não serão as mesmas.
Justamente por conta de nuances como essas que as características demográficas são tão importantes. Elas apresentam um grande leque de possibilidades para diferentes setores realizarem planejamentos. Seja no curto, médio ou no longo prazo.
Uma vez que a demografia consiste na análise de populações em determinados territórios e períodos, alguns indicadores são utilizados para melhor compreendê-la.
As taxas de natalidade e mortalidade são alguns dos principais índices utilizados internacionalmente.
Mas existem muitos outros dados acompanhados por empresas, institutos e organizações para obterem precisão em suas ações. Confira, a seguir, o detalhamento de alguns deles.
Essa informação representa o conjunto de pessoas que moram ou de alguma forma se fazem presentes em um determinado espaço, como no caso do número de habitantes de uma determinada cidade.
Entender a quantidade populacional de um lugar permite, por exemplo, que empresas entendam:
Consiste em um cálculo a respeito do quanto uma população costuma ter de rendimento mensal.
Trata-se de um dado que indica não apenas o poder de compra de um local, mas também se o interesse de consumidores em uma mesma condição está mais próximo de produtos premium ou promocionais, por exemplo.
Diz respeito a determinadas características com as quais alguém se identifica.
Esta é uma informação bastante utilizada por segmentos como moda, cosméticos e de higiene pessoal para definir onde irão direcionar seus produtos e realizar campanhas de divulgação.
O tipo de território onde uma pessoa vive diz muito sobre a dinâmica comercial local e as oportunidades disponíveis.
Enquanto grandes cidades costumam ter alto número de moradores e comércios, além de maior diversidade em relação a segmentos da economia, áreas rurais podem ter predominância de produções agrícolas e industriais.
As preocupações e preferências de consumo variam conforme a idade. Enquanto jovens tendem a investir em faculdades e cursos livres, quem é mais velho e tem uma carreira estabelecida talvez esteja mais interessado em usar seu dinheiro na compra de um imóvel, por exemplo.
Isso se reflete também em inúmeras outras escolhas feitas ao longo da vida, como estilo de roupa, meios de comunicação pelos quais se informa e assim por diante. Por isso, muitas empresas levam a geração como importante fator em suas análises.
Essa é uma das características demográficas mais utilizadas principalmente pelo setor educacional, e diz respeito ao quanto as pessoas têm de escolaridade - como ensino fundamental, médio ou superior.
Afinal, lugares com alta quantidade de alunos formados no ensino médio representam oportunidades para abertura de novas unidades de ensino superior, por exemplo.
Bastante estudado para mensurar a qualidade de vida de um local, o IDH “resume” o acesso que a população possui a aspectos como renda, educação e saúde.
Este dado funciona como um “termômetro”. Isso porque territórios nos quais esse indicador é alto podem atrair novos moradores, comércios e imóveis. Ademais, apontar para toda uma mudança na dinâmica mercadológica ao longo dos anos.
Para leitura estrutural do território, o Censo Demográfico do IBGE é a referência central. Ele detalha características sociodemográficas e permite recortes por município e áreas menores.
Para atualizações mais frequentes, tem também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e as estimativas/projeções. Elas ajudam a acompanhar mudanças em população, composição por idade e sexo e dinâmica de crescimento.
Além disso, o IBGE publica o Anuário Estatístico que consolida séries e conceitos úteis para padronizar indicadores.
Quando a análise demográfica precisa dialogar com saúde pública e determinantes sociais, o DATASUS é um repositório funcional.
Ele disponibiliza tabelas de população residente e recortes por sexo e idade, além de agrupamentos como “demográficas e socioeconômicas”.
No detalhe, é uma fonte complementar para enriquecer segmentação por faixa etária e estrutura populacional, sobretudo em recortes municipais.
Para análises socioeconômicas e comparações históricas, o Ipeadata ajuda a consolidar séries e metadados.
Ele é útil para conectar demografia a variáveis como desigualdade, pobreza e desenvolvimento humano. Especialmente porque tem transparência metodológica sobre interpolação e uso de dados censitários em períodos intercensitários.
Basicamente, com Ipeadata, a leitura do “perfil demográfico” ganha contexto econômico. Ela não depende apenas de números absolutos.
Para benchmarks internacionais, o World Population Prospects (projeções oficiais da ONU) oferece estimativas e projeções comparáveis entre países.
A base é especialmente útil para contextualizar envelhecimento, fecundidade, mortalidade e migração em padrões globais. Além disso, a ONU publica notas metodológicas que orientam o uso correto de indicadores e séries temporais.
Em temas regionais e setoriais, publicações técnicas da Embrapa costumam organizar indicadores demográficos e socioeconômicos em linguagem aplicada.
Um ponto relevante é a explicitação de que a base demográfica brasileira se ancora, principalmente, nos censos.
Esse tipo de material funciona bem para análises por recortes territoriais específicos. Sobretudo quando é preciso cruzar população, urbanização e condições socioeconômicas.
Para quem precisa de rigor metodológico e definição precisa de indicadores, as publicações do NEPO/Unicamp são um apoio consistente. Elas ajudam a evitar leituras superficiais ao tratar de urbanização, migração e estruturas populacionais em estudos territoriais.
Na prática, é uma fonte valiosa para validar conceitos e critérios antes de operacionalizar a análise demográfica em modelos e segmentações.
Em linhas gerais, o primeiro passo da análise demográfica é definir quais os objetivos que se pretende atingir. A partir de então, selecionar os dados que farão parte da análise.
No mundo empresarial, é comum que os profissionais utilizem a inteligência geográfica. Geralmente por meio de softwares, buscando compreender os locais com maior potencial de venda de seus produtos e serviços.
Nesses casos, elas fazem uma seleção com base em critérios que consideram mais relevantes para atingir seu público-alvo.
Por exemplo, algumas redes de varejo têm forte presença em regiões específicas do Brasil, e então investigam formas de aumentar essa atuação onde sua marca já está bem estabelecida.
Outras preferem desbravar novos lugares e, assim, avançar aos poucos na conquista de espaço nesse mercado, abrindo novas lojas..
Isto é, se um supermercadista com foco em públicos de baixa renda cresce em capitais no Centro-Oeste, ele pode usar as características demográficas de seus clientes e procurar outros similares em municípios do interior ou mesmo de outras regiões.
Para que essa estratégia se concretize, é necessário fazer mapeamentos precisos, consultando ferramentas de mercado, dados disponíveis em sites da internet e inclusive cruzar com bases internas.
Uma vez identificados lugares em que o perfil de consumo das pessoas é parecido com os de onde essa rede já atua, as chances de obter sucesso na abertura desses novos pontos se tornam muito maiores.
Comece pela decisão prática: expansão, ajuste de portfólio, priorização comercial ou segmentação de mercado.
Em seguida, escolha a unidade de análise: município, bairro, área de influência, ou recortes menores, quando fizer sentido. Nesse momento, já defina se a leitura será urbana, rural ou combinada.
Liste as variáveis essenciais para o seu caso: faixa etária, gênero, renda média, nível de instrução e tamanho da população.
Depois, complemente com indicadores demográficos para entender a dinâmica e a tendência: natalidade, mortalidade, migração populacional e projeção populacional.
Isso evita uma fotografia estática, que costuma distorcer a leitura de potencial.
Valide se as fontes entregam o recorte que você precisa e com periodicidade adequada.
No Brasil, o IBGE organiza parte relevante dessa base, combinando Censos Demográficos, PNAD Contínua, Registro Civil e outras referências. Para eventos vitais, também entram registros como nascimentos e óbitos do Ministério da Saúde.
Antes de cruzar variáveis, ajuste definições, períodos e categorias.
Harmonize faixas, trate ausências e documente regras de consolidação. Se houver mudança de limites geográficos ou quebras de série, registre isso, pois afeta comparações históricas.
Conecte os dados demográficos às suas bases internas, como cadastro, histórico de compras e dados de atendimento.
Quando possível, associe cada registro a uma localização. Assim, você consegue avaliar a aderência entre performance e perfil do território, em vez de inferir comportamento apenas por média.
Estruture grupos com critérios claros, como público-alvo por idade, faixa de renda e escolaridade. Em seguida, descreva uma persona demográfica por segmento, com atributos mensuráveis e limites objetivos.
Isso facilita a priorização e reduz ruído entre áreas de Marketing, Produto e Vendas.
Converta os achados em hipóteses verificáveis, como “maior densidade + maior participação de determinada faixa etária aumenta conversão”.
Valide com teste em amostras, pilotos por território ou comparação temporal.
Por fim, estabeleça regras que permitam repetir o processo, com atualização periódica conforme novas divulgações e mudanças de base.
Em qualquer escala geográfica, é possível obter uma média dos perfis que há no território em análise.
Ou seja, se somar toda a quantidade de homens e mulheres em um município e dividir pela população total, o resultado obtido será um percentual que indica qual gênero é predominante naquele território.
Cálculos como esses são aplicáveis a inúmeras variáveis: renda média, empregabilidade e assim por diante.
Existe uma forma mais fácil de entender isso, como no infográfico abaixo. Nele, consideramos como seria o Brasil se ele fosse composto por 100 pessoas.
A partir disso, selecionamos algumas características demográficas e ilustramos qual seria a representatividade de cada uma delas.
Analise a imagem:
Como é possível perceber, dependendo dos dados observados e da forma como eles são filtrados, inúmeros insights podem ser extraídos em estudos como esse.
Neste recorte utilizado, logo se percebe que a maior parte da população mora em áreas urbanas, com predominância de homens adultos, moradores da região sudeste do país, sem ensino médio completo e que ganham entre R$ 1.378 e R$ 4.458 por mês.
No entanto, é importante notar que essa é uma representação resumida de uma população estimada em 213,4 milhões de habitantes.
Um estudo de mercado que tenha como foco de atuação o Rio Grande do Sul, utilizando as mesmas variáveis, pode se deparar com informações bastante distintas de alguém que esteja em Minas Gerais, por exemplo.
Portanto, essas análises estão relacionadas tanto aos filtros utilizados quanto aos aspectos locais de onde se está observando. Quanto mais granulares, maior é a vastidão de possibilidades de atuação.
Este é um panorama do Brasil em números (indicadores demográficos)
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